A INDIA SECRETA DE PAUL BRUNTON

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Este é, sem dúvida, um dos livros que abriu as “portas do misterioso Oriente”, criando grande comoção no momento em foi editado, em 1934, com o título original de A Search in Secret India. O estudo em santuários do budismo japonês e junto de Mestres taoistas, e a sua estância numa ermita dos Himalaias, completou este trabalho de divulgação que até esse momento estava praticamente vedado ao público ocidental. A síntese de todas estas vivências e conhecimento criariam o que podemos chamar de uma doutrina do mentalismo, especialmente com a sua obra The Wisdom of the Overself, editado em 1943.

Jornalista de profissão, Paul Brunton (pseudónimo, pois o seu nome é Raphael Hurst), na sua primeira juventude foi teósofo (durante dois anos) e estudou, por isso, a obra de H.P. Blavatsky, que despertaria a sua alma e aspirações místicas, que o vão acompanhar durante toda a sua vida e, mais ainda, já que se converteram no motor da mesma.

A portrait of Paul Brunton. Wikimedia Commons

Neste livro, narra a procura de um mestre na Índia e da tradição Yoga vivente e esotérica, depois do encontro com uma personagem hindu numa livraria em Londres, com o qual travou amizade e que tinha sido discípulo de um Rishi (um sábio adepto nos umbrais da condição divina). Esta viagem seria coroada por uma experiência mística e o reconhecimento como Mestre do assombroso yogui Ramana Maharshi, na montanha vermelha de Arunachala, no ashram deste sábio “da procura do Eu Oculto”. Vários anos depois seria também instruído pelo pandita Subhramanyam Iler que, na sua juventude, teria sido do círculo íntimo de Annie Besant e por um Maharajá de Mysore, que seria ao mesmo tempo o seu protetor e a quem chama de rei-filósofo.

Paul Brunton não se apresenta como crente das doutrinas Yoga, muito pelo contrário, no entanto, aberto ao que a realidade lhe pode mostrar. As engrenagens da sua mente dissecam tudo o que ouve e o que vê, mas, se é certo o que narra, o nível da sua alma e a sua audácia permitem-lhe encontrar-se com uma sucessão de prodígios e ainda de mestres de verdade ou de mentira que o querem como discípulo ou acólito. A seriedade e pormenor com que trata estes “milagres” e ensinamentos secretos fazem-no continuador, em certo modo, da revelação que vemos na Isis sem Véu mais de cinquenta anos antes ou, se queremos, também em Marco Polo no século XIV.

Especialista, cortês e ao mesmo tempo implacável entrevistador, encontra-se com a sua inquebrantável lógica, e dúvidas, frente ao muro de uma lógica ainda mais perfeita e de feitos inequívocos (segundo o próprio descreve). Dos seus encontros com estes filósofos, taumaturgos e yoguis[1], batendo o martelo do ceticismo e empirismo ocidental e, apesar de um conhecimento e experiências milenares, saltam chispas de sabedoria que constituem um verdadeiro tesouro. Certamente, o seu livro é uma obra notável e não é de estranhar que se tenha convertido num clássico do seu género.

Sri Ramana Maharshi – Lying – G. G Welling – 1948. Commons Wikipedia.

Como a vontade silenciosa de Ramana Maharshi vai chamando a do seu discípulo e fazendo com que a sua mente se torne cada vez mais pura e, tudo descrito por uma pena mestra de viajante inglês, é um claro exemplo de aquilo que logo ele próprio vai chamar de “A Senda Secreta”, enchendo-nos a alma de alegria. Na Voz do Silêncio declara-se “Ajuda a Natureza e trabalha com ela” e a “natureza” também é a alma do discípulo que se abre como um lótus à luz, depois de superada a lama do sensual, e crescido firme no meio das correntes de água do psiquismo inferior.

Depois da viagem à India que converteu em livro, voltaria a Aryavarta e à montanha de Arunachala junto do seu Mestre várias vezes mais e ainda depois de o próprio falecer, mas o recinto antes sagrado parecia-lhe agora sem vida, opaco, como declara com tristeza no prólogo de uma tardia edição da sua obra “Mensagem de Arunachala”:

“Muito depois de ter escrito este livro, viajei novamente ao teu país. Mas, ai! Tu já não estavas ali. Essa grande transição de um mundo de existência a outro, que os homens chamam de morte, havia-te levado como leva todos os seres humanos.

Isso já era suficientemente doloroso, mas não terminava aí, pois comprovei que com a tua partida, a colina Arunachala tinha perdido tanto da sua antiga atmosfera sagrada que pouca magia restaria à sua aura.

Tinha-se convertido numa como tantas colinas que já tinha visitado. Então recolhi a lição de que é o homem e a sua mente o que confere santidade a um lugar e não o lugar que santifica o homem.

Nunca me abandonará a recordação do teu bondoso espírito.”

Quem sabe se o escreveu levado pelo desânimo, devido à ausência física do seu Mestre, pois a vida e a mente, e a vontade irradiada de um santo impregnam com a sua magia um lugar.

Annie Cahn Fung, na sua obra Paul Brunton: un pont entre l’Inde et l’Occident, faz uma curiosa reflexão ao comparar este filósofo Paul Brunton e os seus ensinamentos com os de Gandhi e Krishnamurti. Diz que este último fez tábua rasa com todo o passado e todos os ensinamentos de um modo contra-natura, ou melhor, contra toda a forma de herança cultural e conquista da civilização. No final, como na heresia alucinada de Akhenatón, ele seria o único mediador entre  a alma humana e os deuses, ou a Verdade, pois criticando ferozmente toda a forma de conhecimento legada pelos sábios do passado, ele insiste – apesar de não o dizer exatamente assim, claro – que sigam os seus únicos ensinamentos porque ele sabe, ele vê, ele chegou. E contagiados por esta embriaguez de exclusividade, os seus seguidores (que jamais aceitaram o nome de discípulos), não fazem mais que repetir eu…, e eu…, e eu…, e desta prisão de cego egoísmo não sairão, se o banho do real não os faz sentir-se novamente parte de um todo.

Por outro lado, Gandhi, mais além do mito, não deixa de ser um paradoxo… do seu sonhado neolítico. Pois a esta época queria fazer regressar toda a Índia. O seu sonho era o de uma Índia sannyasis, mas não porque houvesse sannyasis legítimos que a enobrecessem, mas porque todos os habitantes da mesma deveriam ser nolis volendi, renunciantes… à civilização. Segundo ele, em vez da roda que ocupa o coração da bandeira da India, a roda de Ashoka ou do Dharma, no seu lugar estaria a roda de fiar e não existiriam nem hospitais, nem eletricidade, nem tecnologia de nenhum tipo e assim com esse projeto económico e de vida… que todos jejuassem, à força, o que ele jejuava como protesto e ostentosa prova de autodomínio.

Ou seja, se Krishnamurti negava a validez de todo o passado, Gandhi negada a validez de todo o presente e futuro.

Como diz esta autora já mencionada, Paul Brunton, místico, mas ao mesmo tempo sensato e filho do seu tempo, procura o melhor do Oriente e o melhor do Ocidente, o melhor do passado e do presente, descobrindo um futuro transitado sem egoísmo e em concordância com o melhor da natureza humana. E, desde logo, não renegando as legítimas conquistas do ser humano para facilitar a vida neste “vale de lágrimas” que podemos converter se governados por sábios, num jardim ou paraíso terreno.

Porque temos de afastar aquilo que nos ajuda a avançar no caminho externo e interno e que a nada nem a ninguém violenta.

Voltando ao livro de Paul Brunton, o que nele mais surpreende é o desfile de assombrosas personagens nas suas páginas. Primeiro, o seu próprio amigo que o animou a viajar à India. Logo um mago egípcio, um pouco sinistro, que coloca as suas ciências secretas e poderes ao serviço de quem pague e que com a ajuda de génios ou elementais a seu serviço faz prodígios (que, sem os ver, custa realmente a acreditar neles). Depois, um alucinado – segundo Paul Brunton – que se proclama a si mesmo, sem nenhum tipo de pudor, o novo avatara, um tal Meher Baba que tantos admiradores despertaria em Hollywood e a quem tão bem retrata e cala, colocando os “pontos nos is”.

Outro, um jovem praticante de Hatha Yoga (que ele chama de “controle do corpo” no livro) com ele trava amizade e é capaz de deter à vontade os latidos do seu coração e a necessidade de respirar[2]. Expõe os terríveis perigos desta disciplina se não é guiada por um verdadeiro Mestre (salvo nos exercícios realmente básicos que são uma forma de ginástica) especialmente os exercícios respiratórios.

Bênção Mahaperiyava com abahya mudra. Wikimedia Commons.

Outra das personagens notáveis é Shankaracharya de Kanchipuram, o 66º sucessor de Shankaracharya, também chamado de “o sábio de Kanchi”, cabeça espiritual da India do Sul e de quem destaca a sua grandeza espiritual, a sua abertura de mente e humildade. Tão impressionado fica com a sua bondade que quer converter-se em seu discípulo, ao que o sábio responde honestamente:

“Estou à cabeça de uma instituição de ordem geral e o tempo não me pertence, o meu cargo absorve-o quase por completo; durante anos dormi apenas três horas por dia; nestas condições como poderei aceitar mais discípulos? Procura um Mestre que te possa consagrar o seu tempo”. (Pág. 121)

À pergunta de se pode recomendar um homem realmente santo e sábio, responde que conhece dois, um quase secreto e outro, que é, precisamente, Ramana Maharshi.

Outra das personagens que o comovem é Mahayana, humilde ancião que foi discípulo de Ramakrishna e por cujas recordações lhe pregunta Paul Brunton. Fica cativado por este sábio, que mais do que hindu parece um patriarca bíblico.

Ramakrishna Paramahamsa

“Durante algum tempo compareci todas as noites, não tanto para o ouvir, mas para sentir o efeito da sua presença, acalentando o coração e a mente. É o ar do amor e de infinita doçura, impregnado da espiritual beleza interior, cujas irradiações são quase palpáveis. Se às vezes esqueço as suas palavras, guardo como um tesouro a sua influência apaziguadora. O que me atraiu a Ramakrishna hoje prende-me a Mahasaya. Qual terá sido, então, a influência do Mestre se a do discípulo exerce uma fascinação tão irresistível?”[3].

Narra depois toda uma série de experiências científicas que se fizeram na universidade de Calcutá, de um yogui que era capaz de, entrando em êxtase, ser protegido contra todo o tipo de veneno ingerido, incluindo acido sulfúrico.

Outro demonstra certas propriedades dos raios solares que devidamente isolados podem ter efeitos prodigiosos como os de embeber determinados perfumes numa tela, por exemplo. Uma Ciência Solar que não requer nenhuma força de vontade nem prática especial, mas como a da eletricidade e o magnetismo, saber as suas leis, até agora secretas.

Outro dos capítulos mais impressionantes é o seu encontro com um astrólogo, com quem aprende uma doutrina chamada Brahma Chinta, de origem tibetana. Quando o ascético pergunta como podem os planetas exercer a sua ação à distância, responde-lhe “Não fará por acaso isso a Lua com as marés?” e explica-lhe que a astrologia não pode ser compreendida nem aceite sem a doutrina do karma.

Considera as estrelas simplesmente como sinais do céu; desta forma, não são elas que nos influenciam, mas sim o nosso próprio passado. Jamais compreenderás a astrologia enquanto não acreditares na sua doutrina, cujos ensinamentos revelam que o homem nasce e renasce e que o seu destino o segue de um nascimento ao outro. Se escapa das consequências de uma má ação, durante uma das vidas, tem de pagar na próxima reencarnação e se não recebe a recompensa das suas boas ações nesta vida, sem dúvida que o fará na próxima. Sem esta doutrina do retorno contínuo da alma humana à terra até alcançar a perfeição, a sorte dos homens, mudando continuamente, parecerá sempre como o efeito de um capricho ou de um azar cego. As boas ou más ações na sua experiência anterior farão o equivalente nesta vida ou nas futuras. Isto é exatamente o que entendemos como destino”.[4]

E é realmente interessante o que profetiza como astrólogo (recordemos que o faz em 1930 aproximadamente):

“Assim como a noite segue igual ao dia e o dia segue igual à noite, assim é a história das nações. Grandes mudanças vão acontecer em todo o mundo. A Índia que caiu num estado de profundo torpor e apatia, não se levantará senão no dia em que despertem as suas antigas aspirações, o que é sempre a vanguarda de todo o renascimento. O materialismo que devora a Europa levantou uma onda de atividade febril que acabará por diminuir naturalmente, antes ou depois, dando lugar a um ideal mais nobre; a Europa voltará a buscar os valores espirituais e a América acompanhá-la-á. Os nossos ensinamentos e as doutrinas filosóficas penetrarão no Ocidente e a Índia voltará a ser o guia espiritual da Humanidade. Os vossos eruditos já traduziram alguns dos nossos manuscritos e livros sagrados, no entanto, inumeráveis textos antigos dormem ainda nas cavernas da Índia, Nepal e Tibete; quando a hora chegar, estes também serão revelados ao mundo. Tempos virão em que a mais antiga filosofia do Oriente se fundirá com a ciência utilitária do Ocidente e o mistério do passado deixará de ser, desta forma, um segredo para um novo século”.[5]

Outro dos capítulos interessantes é a descrição da cidade e comunidade religiosa de Dayalbabagh e a forte presença e capacidade organizativa de Marajá Sahabji, tão místico como prático, uma raridade. Apresenta um modelo de cidade ideal à maneira da República de Platão, livro que mais que o inspirar haveria confirmado muitas das suas eleições e diretrizes segundo ele próprio diz. Apresenta a figura de um rei-mestre à maneira clássica e uma cidade organizada fora dos parâmetros do liberalismo económico em que a única coisa que importa é a procura do lucro que leva à exploração humana – e do socialismo e comunismo da época que esvazia e mata o individuo e por isso tanto presente e futuro, como vimos no século XX. As práticas religiosas desta comunidade são uma forma de Shabda Yoga (o do Som) e ensinamentos místicos herdados de Kabir. É de interesse a explicação do Marajá.

Paul Brunton diz:

“Os livros que estudei dizem, de facto, que o som é uma força criadora que chamou à existência o universo”

O Marajá responde:

“Materialmente falando a sua interpretação é correta. No entanto, é melhor dizer que o som foi a primeira manifestação da obra do Ser Supremo na criação do mundo. O universo não é o resultado de forças cegas. Esse Som divino é conhecido pela nossa Fraternidade e pode ser transcrito foneticamente. Nós cremos que os sons são sinais da fonte que os emitiu e da força original que os criou. Por isso, se um dos nossos adeptos presta atenção ao som divino que está dentro dele – com o corpo, a vontade e a mente controlados – no momento em que ele o perceba adquire conhecimento do Ser e alcança a felicidade (…) O som condensa em si propriedades da região em que foi emitido. Por conseguinte, concentrando de uma certa maneira toda a sua atenção, pode-se um dia chegar a ouvir este verbo místico que representa o verdadeiro nome do Criador, emitido desde aqueles tempos primitivos, tempos em que se criaram os mundos desse caos primitivo”.[6]

Que surpresa teria Paul Brunton quando foi descoberto em 1964 no físico este Eco da Criação, ou esta Voz Primordial que chamamos hoje Fundo Cósmico de Microondas e é a chave do modelo cosmológico do Big Bang, seja este último certo ou não.

De qualquer forma, os mais belos capítulos do livro são os que narram a sua estadia em Arunapala junto ao seu Mestre e que descrevem todas as suas lutas internas e como pouco a pouco se vai abrindo a luz na sua mente e a paz no seu coração. A vida de Ramana Maharshi é assombrosa e está bem documentada. O sábio guia-o na sua indagação sobre a natureza do Eu profundo, mais Além dos labirintos do seu intelecto, mas como o próprio Paul Brunton diz, a mudança que nele se opera é mais causada pela forte presença e bondade deste Mestre vedantino, pela beleza do lugar, pela serena contemplação das paisagens e o silêncio em redor e pelas conversas com outros yoguis e estudantes, discípulos de Ramana Maharshi.

Contemplando-o, nos entardeceres, as horas de meditação conjunta, diz:

“Nestas horas que valorizo até que ponto os silêncios de um homem de tal envergadura são profundos em significado e muito mais eloquentes que as próprias palavras. O seu equilíbrio inalterável oculta um dinamismo de tal força que afeta as pessoas presentes, sem necessidade de recorrer a palavras ou a atos. Há horas em que sinto tão intensamente o poder dessa força que se ele me desse uma ordem tenho a certeza que cegamente lhe obedeceria sem objetar. No entanto, o Maharshi é, em certo modo, o último homem que exigiria dos seus discípulos uma obediência servil; deixa a cada um a maior liberdade de ação, o que difere muito da maioria dos Mestres de Yoga que encontrei nas Índias.”[7]

Descreve da mesma forma o essencial dos ensinamentos do mesmo:

“Faça-se esta pregunta sem nenhuma trégua: quem sou? Analise o seu eu até ao seu próprio núcleo, intente seguir o seu pensamento até onde começa a raiz do eu mantendo nele a sua atenção interna. Chegará o dia em que os pensamentos caóticos que, como uma roda, giram incessantemente acabarão parando levando-o a um ponto em que a intuição direta surge espontaneamente desde as profundidades do seu ser; continue a segui-la, abandone todo o pensamento, entregue-se. Se tem êxito alcançara a nossa meta suprema.”[8]

Realizando este trabalho perseverantemente junto do seu Mestre, numa das suas meditações alcançou essa paz e inspiração extática que logo, quando regressou à mente quotidiana e ao uso da palavra cristalizou numa série de belos ensinamentos (dos quais escolhi dois fragmentos) tão atuais e que fecham este artigo:

“Tentemos assim trazer à memoria algumas gotas da fonte do mundo inexplorado que se estende mais além das fronteiras do espírito. O ser humano não se sentirá seguro se não é protegido por pensamentos sublimes. Enquanto encontrar prazer nas trevas, obstinando-se em não aceitar a luz, os seus mais engenhosos descobrimentos o afundarão no abismo; cada vez mais profunda será a noite, quanto maior seja o apego às coisas da matéria que um dia deverá deixar e que não fazem mais do que criar obstáculos ao ser humano que está vinculado, de maneira indissolúvel, ao seu passado divino! Ele é, respira e atua em presença do seu íntimo ser, presença que não pode negar! Que entregue incondicionalmente, todos os seus pensamentos, alegrias e dores a esta melhor parcela de si mesmo, que quer viver em paz e morrer com dignidade.”[9]

(…)

“Seja quem seja, uma vez que se contemplou no espelho do seu interior, despojar-se-á de todo o ódio para com os seus semelhantes; não há pecado pior que o ódio, não há maior desgraça que o sangue derramado pela guerra que encharca léguas e mais léguas de terra, não há castigo mais seguro que aquele que golpeará os que provocam a destruição no mundo; que ninguém tenha esperança de escapar ao olhar dos deuses, testemunhos ocultos e mudos dos crimes humanos. Os gemidos dos povos ressoam no mundo enquanto a paz estende os seus braços; os seres humanos destroçados pela dor, torturados pela dúvida, buscam, apalpando às cegas o caminho da obscuridade, enquanto que a luz sublime está aqui para iluminá-los, mas eles não a vêm. O ódio não desaparecerá da superfície da terra enquanto o homem não tenha aprendido a olhar a face dos seus irmãos, não há luz do dia que ilumina com indiferença a todas as criaturas, mas transfigurados pela luz interior que é o reflexo divino e enquanto ele não os fixe com o respeito a que tem direito o ser em cujo coração habita um elemento da mesma essência daquele Poder chamado Deus.”[10]

José Carlos Fernández

Almada, 14 de Maio de 2022


[1] E, também, como vemos, de alucinados e “encantadores de serpentes”.

[2] Se isto faz o discípulo, um verdadeiro Mestre deve fazer isto facilmente, entre outros muitos poderes, como levitar, deixar o corpo à vontade para levar o duplo astral onde quer, telepatia perfeita com os seus discípulos, ler à vontade nos “arquivos passados” da natureza, etc., etc.

[3] Pág. 172.

[4] Pág. 196.

[5] Pág. 207.

[6] Pág. 227.

[7] Pág. 272.

[8] pág. 273.

[9] Pág. 287.

[10] Pág. 288.

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